domingo, 30 de março de 2008

Tecnologia



Portal Exame
20.03.2008

A próxima fronteira do software
Apple, Google e Microsoft se armam para uma nova grande batalha: o controle dos telefones celulares

Por Denise Dweck


EXAME No mercado de telefonia celular, o segmento que mais cresce é o de smartphones, os aparelhos que reúnem num formato de bolso características de computadores. Em 2007, foram vendidos 115 milhões desses telefones em todo o mundo, aumento de 60% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a venda de celulares cresceu apenas 16%. A onda dos telefones inteligentes é fruto de avanços tecnológicos que têm permitido aos fabricantes criar aparelhos mais poderosos com preços cada vez mais baixos. O design atraente ainda é um importante argumento de venda, mas no mundo dos smartphones a escolha estética é só parte da decisão de compra: as funções que o celular vai desempenhar são cada vez mais importantes na tomada de decisão. Prova disso é o mais recente anúncio da Apple. No início de março, o CEO da empresa, Steve Jobs, anunciou o aguardado lançamento do kit de desenvolvimento de software para o iPhone. Com ele, programadores de todo o mundo poderão criar aplicativos para o telefone que já tomou o mundo de assalto com sua elegância -- e que agora pode ser também capaz de competir de igual para igual no mundo corporativo com o onipresente BlackBerry. O anúncio da Apple foi apenas o lance mais recente numa disputa pelo coração dos celulares: o sistema operacional. O Windows domina o mundo dos computadores -- e a próxima fronteira dessa batalha é o telefone celular.

Em jogo está um prêmio bilionário. Embora os smartphones hoje ainda sejam uma porcentagem pequena do total de celulares em uso, os números da indústria da telefonia móvel são de outra ordem de grandeza quando comparados à indústria dos PCs. No ano passado, foram vendidos 1,1 bilhão de celulares, ante 269 milhões de computadores. Mesmo que os valores cobrados pelo sistema operacional de um celular sejam apenas uma fração de seu equivalente nos PCs, trata-se de um mercado enorme. É de olho nele que os maiores gigantes da tecnologia estão se posicionando -- e entre eles está, naturalmente, a Microsoft. Mas repetir o sucesso que o Windows obteve no mundo dos computadores será muito difícil, se não impossível. O primeiro obstáculo para isso é a diversidade de fabricantes de celulares. Para conseguir estar num aparelho, é preciso estabelecer relações próximas com todos eles. Hoje, a empresa de Bill Gates tem acordos com mais de 50 fabricantes. Mas o maior de todos está fora de seu alcance, pelo menos por enquanto: a Nokia, maior vendedora de celulares do mundo, é sócia majoritária da empresa que produz o sistema Symbian, concorrente direto do Windows Mobile.

O mercado hoje:
Em 2007, três tipos de sistema dominaram o setor
  1. Symbian: 67%
  2. Windows Mobile: 13%
  3. BlackBerry: 10%
  4. Linux: 4%
  5. Apple: 4%
  6. Outros: 2%

Fonte: Canalys

NEM SEQUER A MAIOR PARCEIRA da Microsoft no universo móvel se compromete com uma relação exclusiva. A taiwanesa HTC, responsável por 85% das vendas do Windows Mobile no mundo, já anunciou que também vai produzir modelos baseados no Android, sistema operacional aberto (ou seja, que não tem dono) desenvolvido por um consórcio liderado pelo Google. "O futuro do celular é a internet. Como o Google é bem-sucedido nessa área, decidimos participar do consórcio", diz Allan Macintyre, diretor de marketing da HTC para a América Latina. No mundo dos computadores de bolso, ao que tudo indica, a Microsoft não será capaz de erguer as mesmas barreiras de entrada que garantiram seu monopólio nos PCs. "Há espaço suficiente para pelo menos três sistemas operacionais", diz Adam Leach, analista da consultoria britânica Ovum, especializada em telecomunicações.

Mas são muitos os atores envolvidos no mercado de smartphones, e os fabricantes são apenas uma parte de uma complexa equação. Outro elemento decisivo são as operadoras. Com os principais mercados do mundo já tomados, a disputa dos grandes grupos de telecomunicações hoje é pelas receitas de tráfego de dados. Como a imensa maioria das operadoras funciona, na prática, como um canal de distribuição de aparelhos, o sistema que garantir mais receitas certamente será favorecido. Na Alemanha, a operadora T Mobile observou que os usuários de iPhone acessam até 30 vezes mais a internet que a média dos consumidores. Os departamentos de tecnologia das grandes empresas também terão papel importante na disputa que se avizinha. Hoje, a maioria está acostumada a lidar com o BlackBerry, da canadense Research In Motion, que produz os aparelhos vistos nas mãos dos executivos e também o complexo sistema de software que garante a entrega das mensagens de e-mail em tempo real. Desbancar um competidor de reputação provada não será uma tarefa fácil.

Os desafiantes:
A disputa pela próxima fronteira do software vai acontecer na tela dos celulares. Eis os principais concorrentes e suas estratégias:

  1. SymbianEmpresa financiada por seis fabricantes
    A plataforma está disponível em um grande número de aparelhos e é aberta, o que permite a criação de vários aplicativos.A próxima aposta é em celulares touch-screen
  2. Windows MobileMicrosoft
    A linguagem já conhecida do sistema facilita a criação de aplicativos.A Microsoft investe no relacionamento com fabricantes para disponibilizar o sistema em vários celulares
  3. BlackBerryResearch In Motion
    A empresa tem uma base de consumidores fiéis no mercado corporativo. Em 2006, lançou um aparelho voltado para o consumidor final, mais leve e menor que os convencionais
  4. iPhoneApple
    A aposta principal é no design do aparelho. Em junho, a Apple incluirá serviços de e-mail nos celulares para atrair executivos e abrirá o kit de software para ampliar o número de programas
  5. AndroidOpen Handset Alliance
    O sistema, baseado em Linux, é aberto e gratuito. Não terá custo para ser incluído nos aparelhos nem será cobrado nada dos desenvolvedores de software
  6. LiMoFundação LiMo, com 32 empresas
    O sistema será aberto, permitindo que fabricantes e desenvolvedores criem qualquer tipo de aplicativo. Pretende ser uma versão única do Linux para smartphones

O FATOR MAIS IMPORTANTE e decisivo na batalha, porém, deve ser a lealdade dos desenvolvedores de software. Quando apresentou o conjunto de ferramentas que permitirá aos programadores criar aplicativos para o iPhone, Steve Jobs também anunciou a instituição de um fundo de 100 milhões de dólares para apoiar a criação e o crescimento de novas empresas cuja atividade principal será escrever software para a plataforma. O comando desse fundo é de ninguém menos que John Doerr, um dos capitalistas de risco mais bem-sucedidos do Vale do Silício. "O iPhone é uma oportunidade maior que a dos PCs", disse ele. Um pouco de exagero? Talvez. Mas Doerr foi um dos primeiros a apostar em empresas como Google e Amazon -- e, quando ele fala, a indústria da tecnologia ouve com atenção.


Nos primeiros quatro dias em que estiveram disponíveis para download no site da Apple, as ferramentas para desenvolvedores foram baixadas mais de 100 000 vezes. O kit do sistema Android, do Google, foi baixado 750 000 vezes -- e o gigante das buscas promete distribuir 10 milhões de dólares em prêmios aos melhores aplicativos. Embora os consumidores não comprem os aparelhos pelo sistema operacional, os tipos de programa que ele aceita serão um fator decisivo. "A plataforma que tiver a comunidade de desenvolvedores mais ativa será a mais forte candidata a vencer a batalha da computação móvel", disse o analista Gene Munster, do banco de investimentos Piper Jaffray. Hoje, o sistema Symbian, que tem por trás a Nokia, é líder absoluto em termos de disseminação e já conta com quase 9 000 programas para sua plataforma. Mas isso quer dizer pouco, segundo os especialistas. Ainda é cedo demais para apontar os favoritos. Os primeiros aplicativos para os sistemas da Apple e do Google só devem aparecer a partir do meio do ano. Nos anos 80, quando a Microsoft consolidou sua posição de dominação no mundo dos desktops, o fator determinante para sua vitória foi o cortejo dos desenvolvedores independentes. Agora, ao que tudo indica, Google e Apple aprenderam a lição -- e não vão deixar que a história se repita.

Impacientes, infiéis e insubordinados



Portal Exame
20.03.2008

Impacientes, infiéis e insubordinados
Assim são os profissionais da chamada geração Y. Eles desafiam - mais do que nunca - as regras de atração e retenção de talentos nas grandes empresas

Por Márcia Rocha


EXAME Acompanhe a descrição das trajetórias profissionais de três jovens executivos, todos eles parte de uma geração que representa hoje o futuro de qualquer empresa:* O paulista Diego Micheletti, de 27 anos, sempre teve pressa de acumular experiências profissionais. Durante a faculdade de administração, estagiou em três empresas diferentes: Santander, Danone e Microsoft. Depois de formado, conseguiu uma vaga de trainee na operadora de telefonia celular Vivo. Assim que acabou o programa, Micheletti se tornou um dos coordenadores de marketing da empresa. Apesar da rápida ascensão, ele decidiu mudar mais uma vez. Voltou para a Microsoft, atraído por uma promoção a gerente e pela possibilidade de participar do treinamento especial oferecido ao chamado "pelotão da elite" da empresa, um grupo de 1 000 jovens talentos distribuídos pelo mundo (o time brasileiro tem dez representantes).
* Em 2005, após concluir um concorrido programa de trainee em uma das maiores empresas do país, a engenheira paulistana Paula Bojikian, de 26 anos, abriu mão do emprego que lhe foi oferecido. "Percebi que ali eu seria mais uma na multidão", diz ela, que prefere não revelar o nome da antiga empregadora. Desde maio de 2007, Paula é analista da Integration, consultoria de gestão de negócios com escritórios no Brasil, na Argentina, no Chile e no México.
* O engenheiro paulista Roberto Nakahara tem apenas seis anos de carreira. Apesar disso, já trocou de emprego três vezes. Aos 28 anos de idade, passou pela Unilever, Kraft Foods e Colgate-Palmolive. Há seis meses, tornou-se gerente de produto da subsidiária brasileira do Galderma, laboratório farmacêutico especializado em produtos dermatológicos. As mudanças aceleradas lhe garantiram, até agora, uma média de permanência de apenas 18 meses em cada posição.
Micheletti, Paula e Nakahara são típicos representantes da mais nova geração de profissionais que está chegando aos primeiros cargos de gerência de grandes empresas. É um grupo conhecido como geração Y, formado por jovens entre 18 e 30 anos. Eles são menos pacientes, menos fiéis e não se importam com certos protocolos da hierarquia. Cresceram conectados à internet. Filhos de pais dedicados à carreira e culpados pela pouca dedicação à família, acostumaram-se a ter respostas rápidas. E usam a mesma informalidade das conversas por e-mails no contato com o chefe imediato ou o presidente da empresa. Essa geração também leva às últimas conseqüências o princípio de que só vale a pena trabalhar em uma companhia se (e enquanto) ela for útil para a construção rápida de sua carreira.
Lidar com as características à primeira vista intratáveis dessa nova geração é um dos grandes desafios para empresas de todos os setores, em todos os lugares do mundo. "Hoje as companhias têm de renovar os vínculos com o pessoal, mas a tarefa é mais complicada quando se trata dos jovens da geração Y", diz Renato Guimarães Ferreira, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, especialista em recursos humanos. As primeiras reações começam a ser articuladas -- desde planos de aceleração de carreira até novos incentivos para a permanência dos participantes em programas de trainees. "Mas, no geral, as empresas ainda estão tentando entender as características desses jovens", diz Sofia Esteves, sócia e fundadora da Companhia de Talentos, consultoria que coordena programas de trainees de empresas como Ambev e Arcelor Mittal.
Eles querem tudo – e agora
As primeiras reações das empresas às características da nova geração
IMPACIÊNCIA
Eles não estão dispostos a esperar muito tempo por uma promoção.ReaçãoNa Microsoft, os funcionários agora revisam metas de carreira duas vezes por ano com o chefe imediato.
INFIDELIDADE
Não são fiéis a uma empresa, e sim a seus projetos.ReaçãoA GE passou a oferecer progressão salarial aos participantes de seu programa de trainee.
INSUBORDINAÇÃO
Abordam com informalidade até o presidente da empresa.ReaçãoOrientar diretores e gerentes sobre como lidar com a nova geração.
A primeira dificuldade é que, até então, várias delas não tinham de fazer muito esforço para atrair jovens profissionais. O simples prestígio era suficiente para atrair e manter talentos desde o início da carreira. Mas o sobrenome corporativo -- que por muito tempo garantiu a fidelidade dos profissionais -- não exerce o mesmo fascínio sobre a nova geração. Um levantamento anual realizado pela Companhia de Talentos indica essa mudança. A última edição do estudo, feita com 16 000 jovens executivos, mostrou uma simbólica mudança de valores. A chance de ter novos desafios superou, pela primeira vez, a imagem da empresa como a principal razão para escolher um empregador. "Os jovens valorizam cada vez mais as oportunidades de crescer e colocar a mão na massa em detrimento da estrutura e da imagem que a companhia tem no mercado", diz Sofia. A percepção de que a nova geração está menos fiel desde os primeiros passos de sua carreira motivou Sofia a realizar a primeira pesquisa do país para mapear a evasão de programas de trainees. A pesquisa recém-concluída envolveu 6 107 jovens que passaram por programas de trainees no país nos dois últimos anos. Os resultados mostram que hoje a taxa média de evasão de programas desse tipo é de 15%. "Embora não existam dados comparativos, nossa experiência mostra que, nas grandes empresas, esse problema não existia há uma década", diz ela. Os motivos mais citados para a desistência são: remuneração pouco atraente, falta de perspectivas de crescimento rápido e ausência de desafios.
As reações mais visíveis das empresas à mudança de comportamento da nova geração até agora estão justamente nesses programas de trainees -- a principal porta de entrada para esses executivos inquietos. É o caso da subsidiária brasileira da General Electric. Nos últimos três anos, a GE introduziu novos incentivos, como a progressão salarial atrelada a metas. Ao final do programa, a remuneração de cada participante pode ser 50% maior que no início. A Unilever, uma das pioneiras no recrutamento de jovens executivos no país (seu primeiro programa de trainees foi em 1964), também começou a rever seu modelo. Em 2004, a empresa decidiu estender a duração do programa de dois para três anos para que os jovens considerados talentosos tenham tempo de atuar em diversas áreas e sejam expostos a mais desafios. Ao final dos três anos, eles têm chance de assumir um cargo de gerência.

UM FATOR POTENCIALIZA a infidelidade da nova geração -- a acirrada guerra de talentos, que coloca a balança a favor dos profissionais. Um dos casos mais emblemáticos dessa combinação é o da Microsoft, que recentemente viu sua popularidade entre os jovens despencar. O sinal amarelo acendeu para a gigante de tecnologia há cerca de três anos -- a taxa de rotatividade havia aumentado de 6,7% em 2002 para 10% em 2005. A missão de barrar a fuga de profissionais coube a uma executiva da área comercial. Sem nunca ter pisado antes no departamento de recursos humanos, Lisa Brumel assumiu a vice-presidência da área em 2005. Ela passou um ano ouvindo os funcionários até descobrir que a perda de atratividade da empresa era maior entre os jovens da geração Y. Uma das alterações propostas por Lisa para tentar reverter o quadro foi tornar o planejamento da carreira mais transparente. "Se a companhia não tem como oferecer promoções constantes, deve deixar claro quais são as perspectivas", disse a EXAME o consultor americano Scott Wilder, autor de um livro sobre a geração Y (veja entrevista abaixo). Agora, os funcionários da Microsoft revisam metas de carreira duas vezes por ano com o chefe imediato. Para acelerar o desenvolvimento dos profissionais, a empresa criou há três anos o Mach, programa com duração de 18 meses para expor jovens a projetos fora de seu país de origem, inclusive na sede da empresa, em Redmond, nos Estados Unidos. Foi justamente o Mach que atraiu Diego Micheletti há dois anos. "Pesou muito em minha decisão a chance de conhecer a realidade de vários países", diz Micheletti. Graças a medidas como essas, a rotatividade na Microsoft caiu quase 2 pontos percentuais.
Empresas hierárquicas e pouco democráticas terão trabalho redobrado com os executivos da nova geração. O mundo no qual eles foram forjados é, por definição, informal e rápido. Eles não titubeiam, por exemplo, em mandar e-mails diretamente para o presidente da empresa -- prática nem sempre bem vista pela alta cúpula. "Temos explicado aos diretores e gerentes que eles terão de aprender a lidar com esses jovens", diz Vera Durante, gerente de recursos humanos da Unilever. Segundo especialistas, os executivos mais experientes têm de entender que a informalidade nas relações hierárquicas não é sinal de insubordinação, mas algo natural na lógica dos jovens. À medida que eles sobem na hierarquia, as mudanças são cada vez mais expressivas. "Hoje, no Brasil, cerca de um terço dos funcionários da GE é formado por jovens da geração Y, e essa proporção vai aumentar", diz Carlos Griner, diretor de RH da GE para a América Latina. "Mudar padrões tradicionais da gestão de pessoas será inevitável."


domingo, 23 de março de 2008

Projeto Interdisciplinar: Curves







Eixo Temático - Analisar o posicionamento e as estratégias de marketing de empresas varejistas.


Problema: É possível uma empresa de fitness inovar em um mercado tão competitivo?


Objetivo Geral:


- Analisar o posicionamento e as estratégias de marketing utilizadas pela Academia de Ginástica Curves.


Objetivos Específicos:


- Mapear o mercado de academias de ginásticas brasileiras.


- Identificar as necessidades e perfis do público-alvo da Curves e descrever como a empresa detectou essa oportunidade de mercado.


- Avaliar como a Curves trabalhou as ferramentas de marketing e seus impactos no sucesso atual da empresa.

sábado, 22 de março de 2008

Grife com preço de camelô - MKT de Varejo


Portal Exame
20/03/2008
Uma rede de lojas americana cria linhas de tênis e roupas assinadas por celebridades -- e vende tudo por preços irrisórios. O segredo? Veja a linha do custo
Por Daniel Hessel Teichexame
A rede de lojas de roupas e artigos esportivos americana Steve & Barry's, com faturamento de 1,2 bilhão de dólares no ano passado, não é propriamente uma potência do varejo nos Estados Unidos. Mas mesmo diante de um grupo relativamente pequeno os dois fundadores da empresa, os nova-iorquinos Steve Shore e Barry Prevor, criaram um modelo de negócios que tem incomodado -- e muito -- gigantes dos preços baixos, como Wal-Mart e Target, e fabricantes de roupas esportivas, como a todo-poderosa Nike. Criada em 1988 de uma banca de camisetas instalada numa feira hippie nos arredores de Nova York, a Steve & Barry's se transformou em sinônimo de roupas, tênis e acessórios vendidos a preços escandalosamente baixos, que chegam a ser até 40% inferiores aos do Wal-Mart. Nos últimos meses, a rede avançou nesse modelo e expandiu sua estratégia de marketing para uma frente até então inexplorada pelos grandes varejistas: produtos baratos com grifes de celebridades e astros do esporte. Entre as estrelas contratadas pela Steve & Barry's estão a atriz Sarah Jessica Parker, protagonista da série Sex and the City, e a tenista Venus Williams, quatro vezes campeã no torneio de Wimbledon e vencedora de cinco Grand Slams. Em ambos os casos, nenhum produto à venda -- seja um tênis, uma blusa ou uma calça jeans -- ultrapassa o valor de 20 dólares. A estratégia tem sido um dos motores da expansão da Steve & Barry's. A rede, que tinha 60 lojas em 2004, fechou 2007 com 260 unidades em 33 estados americanos e planeja crescer mais 30% até o fim deste ano. Desde 2006, é a cadeia de roupas e acessórios que mais cresce em metros quadrados, praticamente o dobro da segunda colocada, a Gap.
Com suas grifes a preços arrasadores, a Steve & Barry's rompeu com um dogma de mais de duas décadas na indústria de roupas e artigos esportivos -- o de que produtos como tênis, camisetas ou mesmo óculos escuros assinados por gente famosa precisam ser necessariamente caros. O primeiro item a subverter esse conceito foi o tênis Starbury One, que leva a assinatura do jogador de basquete Stephon Marbury, estrela do New York Knicks, considerado um dos melhores jogadores dos Estados Unidos na atualidade. Lançado em agosto de 2006, o tênis chegou ao mercado por 15 dólares, uma fração de produtos semelhantes assinados por outros astros do basquete, como LeBron James (Zoom LeBron V, de 140 dólares) e Michael Jordan (Air Jordan XX2, de 175 dólares), ambos da Nike. "Nosso desafio era mostrar que é possível fazer produtos bons e baratos, para desmistificar essa idéia de que coisas boas e desejáveis custam caro", diz Howard Schacter, executivo responsável pela área de licenciamentos e parcerias da Steve & Barry's. O Starbury One foi desenhado pelo estúdio Rocket Fish, que já teve entre seus clientes a própria Nike e a Fila. Para provar o quanto o tênis era bom, Marbury o usou em todos os jogos da temporada 2006/2007. Como resultado, em apenas dois meses foram vendidos mais de 3 milhões de pares. O sucesso abriu caminho para novas parcerias com celebridades -- Sarah Jessica Parker e Venus Williams entre elas. Na estratégia de lançamento de seus produtos, Venus se valeu do expediente de Marbury e foi para as quadras com o V Court, um tênis de míseros 9 dólares.

quarta-feira, 19 de março de 2008

A campanha do Youtube



06.03.2008

Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos descobrem a internet -- e criam um novo modelo de marketing político

Por Daniel Hessel Teich

EXAME Vídeo de sucesso no YouTube normalmente costuma ser sinônimo de celebridades flagradas em um momento constrangedor. Nas últimas semanas, essa regra infalível tem sido subvertida por um videoclipe que promove a candidatura do senador americano Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata. De acordo com o site Viral Video Chart, do conglomerado inglês MediaGuardian, o vídeo Yes We Can ("Sim, nós podemos") -- produzido com trechos de discursos de Obama e protagonizado por uma constelação de astros pop -- foi o mais compartilhado da rede nos últimos 30 dias. Desde que entrou no ar, no dia 4 de fevereiro, mais de 11 milhões de pessoas baixaram o vídeo, produzido por Jesse Dylan, filho do cantor Bob Dylan, e pelo líder da banda Black Eyed Peas, William James Adams. Por 4 minutos, celebridades como a atriz Scarlett Johansson, o jogador de basquete Kareem Abdul-Jabbar e o pianista Herbie Hancock cantam trechos musicados de discursos de Obama marcados pelo refrão "Yes we can", espécie de mantra do pré-candidato do Partido Democrata. "O Yes We Can é a grande novidade política da internet", escreveu o colunista de política Alex Koppelman, da revista online Salon.
O vídeo dos artistas em apoio a Barack Obama é o exemplo mais cristalino da nova dimensão que o site YouTube -- e a própria internet -- passou a ter para o market-ing político nos Estados Unidos. Cada um à sua maneira, os três principais candidatos da disputa transformaram a rede de computadores em vitrine privilegiada de suas campanhas. Em 2007, a ex-primeira-dama e pré-candidata Hillary Clinton, que disputa com Obama a candidatura pelo Partido Democrata, estrelou ao lado do marido, Bill Clinton, um vídeo de grande sucesso no YouTube que parodiava a cena final do seriado Família Soprano (veja quadro na página seguinte). O republicano John McCain tem divulgado regularmente em seu website vídeos de discursos e eventos dos quais participa. Tanto Obama como Hillary e McCain têm páginas publicadas e constantemente atualizadas em sites de relacionamento, como MySpace e Facebook, que têm funcionado como base de mobilização de simpatizantes nas eleições primárias. Sites de busca, como Google e Yahoo!, tornaram-se parte da estratégia publicitária das campanhas, concorrendo com o rádio e a televisão na distribuição de anúncios. O comitê de campanha de McCain, por exemplo, montou uma estratégia agressiva no Google em que o anúncio com o nome do candidato aparece em buscas envolvendo mais de 2 500 palavras, como president, McCain e mesmo Obama e Clinton. "A internet tornou-se hoje para a política o que a televisão foi na década de 60 e o rádio na década de 40", disse a EXAME o consultor Peter Leyden, do New Politics Institute, centro de estudos americano especializado no estudo do impacto das novas tecnologias no marketing político.
A primeira vez em que a internet apareceu associada diretamente às campanhas políticas foi nas eleições presidenciais de 2004. Durante as primárias daquele ano, o pré-candidato democrata Howard Dean -- que disputava a indicação do partido com John Kerry -- criou um sistema de arrecadação de fundos em seu website. Por meio dele, os simpatizantes escolhiam valores entre 50 e 100 dólares e pagavam com cartão de crédito, como se fosse uma compra online. A candidatura de Dean não prosperou e Kerry foi escolhido -- e, posteriormente, também derrotado pelo presidente George W. Bush --, mas o sistema de arrecadação de fundos provou-se um sucesso.
A eleição na internet
Três filmes relacionados à campanha eleitoral americana que se tornaram sucesso no YouTube
YES WE CANwww.youtube.com/watch?v=jjXyqcx-mYY
O que éVideoclipe criado de trechos de um discurso de Barack Obama. Teve participação de vários artistas e foi produzido por Jesse Dylan, filho do cantor e compositor Bob Dylan
Audiência11,5 milhões de acessos desde a estréia, em 4 de fevereiro de 2008
VOTE DIFFERENTwww.youtube.com/watch?v=6h3G-lMZxjo
O que éVersão de um comercial da Apple de 1984 produzida por simpatizantes de Barack Obama. No filme, Hillary Clinton é mostrada como o Big Brother que controla tudo e todos
Audiência5,3 milhões de acessos desde a estréia, em fevereiro de 2007
HILLARY CLINTON SOPRANOS PARODYwww.youtube.com/watch?v=9BEPcJlz2wE
O que éVídeo protagonizado por Hillary e Bill Clinton baseado na cena final do seriado Família Soprano. O filme foi um convite para os simpatizantes votarem na canção-tema da campanha da candidata
Audiência1,5 milhão de acessos desde a estréia, em junho de 2007
Fonte: Viral Video Chart
A ESTRATÉGIA FOI ADOTADA por todos os candidatos na campanha deste ano, mas Barack Obama tem sido particularmente bem-sucedido nesse tipo de arrecadação. Em janeiro, o candidato conseguiu arrecadar o valor recorde de 36 milhões de dólares basicamente com contribuições de até 100 dólares, 90% das quais feitas pela internet. Em 26 de janeiro, o comitê de Obama registrou em apenas 1 hora 500 000 dólares em doações pela internet logo depois de o candidato vencer as primárias do estado da Carolina do Sul. "As doações online praticamente se dão em tempo real quando um candidato conquista um feito notável ou faz um discurso impactante, muitas vezes assistido na própria internet", diz Leyden, do New Politics Institute. "Os eleitores passaram a ter um poder real de influenciar as campanhas."
A excepcional performance de Obama na internet -- e a importância que sua campanha deu a esse recurso de marketing -- tem muito a ver com o perfil dos simpatizantes de sua candidatura. Obama é o candidato preferido de 61% dos jovens americanos com idade entre 18 e 24 anos, segundo uma pesquisa da rede de televisão CNN. É a parcela da população chamada de millenials (uma referência ao novo milênio), que tem grande afinidade com a internet. Entre os conselheiros de Obama está Chris Hughes, de 24 anos, co-fundador do Facebook, um dos mais populares sites de relacionamento dos Estados Unidos, com 50 milhões de usuários. Apenas em comunidades pró-Obama no Facebook estão cadastrados 355 000 membros. Por outro lado, os grupos hostis à rival de Obama na indicação do Partido Democrata, a ex-primeira-dama Hillary Clinton, agregam mais de 420 000 membros. Essa rede de apoios garante ao comitê de Obama um notável poder de mobilização via internet -- embora nem sempre isso se traduza em vitória nas primárias. Na cidade de Nova York, os partidários de Obama organizaram pela internet 292 eventos, ante apenas 13 organizados em favor de Hillary. Em São Francisco, os militantes de Obama realizaram 189 eventos, ante apenas nove de Hillary. No entanto, na totalização de votos nos estados de Nova York e da Califórnia, a política tradicional falou mais alto e Hillary venceu as primárias.
O uso da internet e do marketing viral na política se inspira, em certa medida, nas estratégias utilizadas em outro universo: o das grandes empresas. Nos últimos anos, companhias de todo o mundo têm aproveitado o poder de fogo de sites como YouTube e redes de relacionamento para fortalecer suas marcas e buscar novos consumidores, principalmente entre os jovens. O mais notável exemplo dessa estratégia foi desenvolvido pela subsidiária americana do gigante anglo-holandês dos produtos de consumo Unilever. Em 2006, a empresa criou o filme Dove Evolution, em que mostra o uso da tecnologia para transformar uma jovem comum em uma top model. O filme é até hoje um dos mais acessados do site, já atraiu mais de 15 milhões de espectadores e no ano passado foi o vencedor do Grand Prix do Festival de Publicidade de Cannes. "O uso da internet na política é uma conseqüência das inovações que começaram no setor privado", diz o consultor Leyden. "É um fenômeno que diz muito sobre como será o marketing daqui para a frente. Se eu fosse um presidente ou diretor de marketing de uma grande empresa, estaria analisando cuidadosamente cada passo desse movimento." Seja qual for o candidato vencedor das eleições presidenciais americanas, a campanha de 2008 promete entrar para a história como a primeira eleição na qual a internet teve, de fato, um peso relevante.

10 Perguntas para Seth Godin



O nome do careca ao lado é Seth Godin. Para muitos, suas idéias são polêmicas. Para outros, é um dos grandes nomes do Marketing na atualidade. Num levantamento realizado pela Anderson Analytics com 600 executivos norte-americanos, Godin encabeça a lista de Gurus do Marketing mundial na frente de nomes como Steve Jobs, Peter Drucker, Tom Peters, Jim Collins, Jack Welch, Malcolm Gladwell, Al Ries e Philip Kotler.
Em entrevista exclusiva ao Mundo do Marketing, Godin dá pistas sobre o que as empresas devem fazer para ter clientes fieis. Em respostas diretas enviadas por e-mail quase que de forma instantânea, o autor de best selles traduzidos em mais de 20 línguas, afirma que as empresas precisam ter clientes que amem seus produtos.
O autor de obras como Marketing: Idéia Vírus; A Grande Mudança: Não Tente Ser Perfeito, Comece a Ser Notável; Marketing de Permissão; Sobreviver não é o Bastante; Brinde Grátis! Aproveite!: a Sua Próxima Grande Idéia de Marketing; A Vaca Roxa; Todo Marqueteiro é Mentiroso!, entre outros, fala, a seguir, sobre mídia de massa, inovação, fidelidade, internet, campanhas virais e sobre o papel do profissional de marketing nos dias de hoje.
No Brasil, a TV ainda é uma mídia muito forte, mas temos mais de 120 milhões de aparelhos celulares e a internet ganha cada vez mais importância como mídia. Você acredita que um dia a TV deixará de perder sua efetividade quando falarmos de mídia de massa?Esse dia é agora. As pessoas já estão abandonando a TV em todo o mundo.
A idéia e a mensagem que um produto passa pode ser mais importante que a própria qualidade, inovação e diferenciação dele?A idéia e a mensagem são dirigidas pela qualidade e pela inovação. Em outras palavras, você não pode ter uma coisa sem a outra. Mas também inovação pela inovação é um desperdício. Se o produto suporta a sua história, você vende.
Como as empresas podem transformar seus clientes em divulgadores espontâneos da marca?Tratando-os com respeito e fazendo coisas que eles gostam e comentem.
O que os consumidores gostam e o que não gostam de ouvir das empresas?Não gostamos de ouvir as empresas. Nunca. Gostou de ouvir as pessoas. E acima de tudo, gostamos de ouvir sobre nós mesmos. Sobre quando o nosso carro está pronto, ou quando o produto que ficamos à espera está pronto para ser enviando.
O que os blogs corporativos agregam para as empresas? Os blogs permitem contar uma história diretamente para as pessoas que querem ouvi-lá. A parte mais difícil é encontrar uma história que as pessoas realmente queiram ouvir!
A empresa que ainda não aderiu à internet como forma de relacionamento com o consumidor vai deixar de existir?Não. Acho que você pode construir uma relação muito forte com alguém cara a cara ou mesmo pelo telefone. A Internet só torna o relacionamento mais ampla e mais rápida.
Como as empresas podem atrair a atenção dos consumidores?Você ganha (a atenção). Principalmente tendo clientes féis que tragam outros clientes.
Como fidelizar um cliente nos dias de hoje?Os clientes continuam comprando produtos e utilizam uma marca porque eles as amam, não porque gostam.
Quais são as características comuns das campanhas de marketing viral que dão certo?Elas precisam ser vibrantes, curtas e muitas vezes engraçadas. Elas também são sempre fácil de se espalhar.
Como os profissionais de Marketing devem pensar o futuro das empresas em que trabalham?O profissional de Marketing precisa entender que ele é a empresa. Não é mais separado.
Mundo do Marketing: Publicado em 17/3/2008

domingo, 16 de março de 2008

Caso de sucesso em reposicionamento: Havaianas




Entrevista feita com o palestrante, escritor e estrategista Mario Persona

Revista Empreendedor:
De acordo com Paulo Lalli, diretor de negócios das Sandálias Havaianas, em um determinado momento a empresa deu um tiro no escuro e acertou o alvo, em relação ao planejamento estratégico da marca, alterando as cores do produto. O que você acha?
Mario Persona: Acredito que, no caso das Sandálias Havaianas, o tiro tenha sido no escuro porque não passou pelo processo usual de lançamento ou reposicionamento de produto, com pesquisas de mercado, entrevistas ou focus groups. O que aconteceu foi uma ação baseada na observação pura e simples de um comportamento de mercado que era notório: os jovens estavam virando a sandália no avesso, virando a sola para cima. Eu mesmo fazia isso, porque achava que usar Havaianas do jeito normal era pisar na bola, enquanto me achava o máximo se estivesse pisando na sola.
Revista Empreendedor: Como uma empresa pode ter mais claramente a definição de uma estratégia de marketing para agregar valor ao produto e a marca?
Mario Persona:
Fazendo o que o pessoal das Havaianas fez: olhar nos pés. Seu laboratório de pesquisa de comportamento, desejos e expectativa estava caminhando por todo lugar. Era só olhar. Olhar para os pés, como meu avô, no seu tempo dono de uma indústria de calçados, a Buzolin. Naquela época não existia pesquisa de mercado e ele nem saberia explicar o que era marketing. Mas vivia olhando nos pés das pessoas, para entender onde a sola gastava, onde a costura desfiava ou onde um um band-aid denunciava desconforto. Depois ia redesenhar seus modelos.
O olho de um bom observador às vezes pode substituir, com vantagem, processos complexos de pesquisa e análise de mercado. Porém, para muitas empresas o marketing se transformou em algo tão sofisticado e complexo que a observação acaba contaminada. É comum encontrarmos ambientes totalmente artificiais e esterilizados criados em hotéis de luxo para onde são levados supostos clientes em potencial, com todas as despesas e paparicos devidamente pagos, para opinarem sobre algum produto ou marca. Na época da virada, ao invés dessa sofisticação toda os fabricantes das Havaianas olharam para o pé de chinelo, para o surfista, para a cocota. E viram que a sandália estava no avesso.
Revista Empreendedor: Qual a melhor maneira de reposicionar a marca em termos de classe social que se pretende atingir com o produto ou serviço?
Mario Persona:
Não sei se a estratégia das Havaianas incluiu isso, mas acertaram na melhor forma de se reposicionar um produto, que é recriando sua imagem para um público ou classe social ainda não bem posicionado em relação à sua antiga imagem. No caso das Havaianas, o alvo foi o público jovem, que ainda não estava muito convencido da idéia de que sandálias de borracha eram para quem não tinha dinheiro para comprar calçados de couro. Tentar reposicionar o produto para a geração que já era convicta da imagem teria sido muito mais difícil ou até impossível. É por isso que, em marketing, um produto ruim, mas pouco conhecido, pode ter mais chances de sucesso no reposicionamento do que um produto um pouco melhor, mas muito conhecido por seus problemas no formato atual.
Revista Empreendedor: Nesse processo, qual a importância de comunicação com o cliente, de conhecer a sua necessidade e de ter na equipe pessoas envolvidas com o produto? É possível realizar isso através de um planejamento de marketing e como fazer?
Mario Persona:
Acho que a responsabilidade não é tanto do planejamento como das pessoas que planejam. Não é um bom planejamento feito por pessoas medíocres que irá transformar um produto em sucesso de vendas. Creio que o sucesso tem mais chances de acontecer quando, antes de se pensar em escolher mercados ou produtos, escolher as pessoas que irão pensar nisso. Um planejamento de marketing nada mais é do que a receita escrita de um diagnóstico bem feito, de uma consulta bem elaborada, de uma tomada de temperatura e pressão do cliente, apalpando aqui e ali e sabendo fazer as perguntas certas, antes de ter as respostas definidas.
A maior importância da comunicação com o cliente está no diagnóstico das necessidades, desejos e paixões, não na apresentação do produto. Eu diria que é uma comunicação com um grau elevado de mão única no sentido cliente empresa, pois o que mais temos que fazer, antes de falar, é ouvir.


sábado, 15 de março de 2008

Dia Mundial do Consumidor: empresas brasileiras ainda precisam melhorar muito
Segundo o presidente da Abrarec, Roberto Meir, isso se aplica principalmente a relacionamento e atendimento ao consumidor

InfoMoney
14 março 2008
SÃO PAULO - No próximo sábado (15), o mundo todo comemorará o Dia do Consumidor. A data foi escolhida por conta de um discurso feito pelo ex-presidente norte-americano John Kennedy em 1962, no qual foram salientados os direitos à segurança, informação e livre escolha dos produtos e serviços por parte dos consumidores.
Mas, apesar de a data ser de comemoração, o especialista internacional em relações de consumo e presidente da Abrarec (Associação Brasileira das Relações Empresa-Cliente), Roberto Meir, lembra que as empresas brasileiras ainda precisam melhorar muito, quando o assunto é relacionamento e atendimento ao consumidor.
"Além disso, as organizações precisam estar estruturadas para manter o contato direto com seus clientes, a fim de identificar gostos, preferências e ouvir também sugestões e reclamações", argumenta Meir.
Consumidor não pode ser rei apenas no discurso
Ainda de acordo com o presidente da Abrarec, o dia 15 de março deve ser comemorado todos os dias, sendo que o consumidor não pode ser rei apenas no discurso, já que precisa ser bem tratado todos os dias, quando consome produtos ou entra em contato com a empresa, por meio de uma central de atendimento ou de um vendedor.
Conforme aponta uma pesquisa da TNS InterScience, a qualidade e o atendimento são os itens que mais importam para os consumidores na hora das compras, com 65% e 63%, respectivamente, vindo até mesmo à frente do preço, com 58%.
Desrespeito aos consumidores
Para o advogado especialista em direito do consumidor, Arthur Rollo, a grande virtude do Código de Defesa do Consumidor Brasileiro, que completou 17 anos de vigência na última terça-feira (11), foi a adaptação de institutos de sucesso do direito estrangeiro, principalmente o europeu, para a realidade brasileira.
"O CDC está próximo de atingir a maioridade com a certeza de tratar-se de uma legislação de vanguarda. A comissão de notáveis que o elaborou foi muito feliz e a prova maior disso é a sua ampla aplicação prática. Sem dúvida alguma, estamos diante de uma lei que pegou", acredita Rollo.
No entanto, o advogado ressalta que o balanço do último ano traz inúmeros episódios que atentaram contra os direitos dos consumidores, como a continuação da crise aérea, a adulteração de gêneros alimentícios, o furto de objetos nas malas de consumidores em aeroportos e o acidente da TAM.
"Tantas notícias ruins podem dar a impressão de que não temos o que comemorar. Mas é justamente o contrário, uma vez que, antes do Código, a fiscalização dos fornecedores era muito mais restrita e os consumidores não reclamavam, por desinformação e porque a medida não surtiria qualquer efeito", diz o especialista.
Hábitos de consumo
Em plena semana do consumidor, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e o Instituto Vitae Civilis lançaram a campanha "Mude o consumo para não mudar o clima", com a meta de mudar os hábitos de consumo das pessoas para tentar barrar o aquecimento global.
Os três objetivos da campanha são conscientizar a população, fazer com que as pessoas se tornem consumidores-cidadãos e pressionar as empresas. Além de disponibilizar uma calculadora de quanto gás carbônico é emitido pelos hábitos de consumo de uma pessoa, a campanha traz um abaixo-assinado para pressionar o governo federal a adotar medidas públicas, até o dia 5 de junho.
Segundo levantamento da empresa britânica BP, em 2005, o Brasil ocupava a nona posição entre os países que mais consomem energia elétrica no mundo, com 2,2% do total mundial utilizado. Nas posições anteriores estavam os Estados Unidos (23,3%), China (13,6%), Japão (6,2%), Rússia (5,2%), Índia (3,7%), Alemanha (3,4%), Canadá (3,3%) e França (3,2%).
Leia mais:
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Recall: Código de Defesa do Consumidor ainda é falho, diz especialista

sexta-feira, 14 de março de 2008

Definição do Projeto Interdisciplinar

O Projeto Interdisciplinar é uma proposta de trabalho institucional da UNATEC que visa realizar de forma prática e concisa atividades de pesquisa no âmbito empresarial, social, cultural, artístico e ambiental. Elaborada por estudantes universitários dos cursos tecnológicos, o objetivo central desse projeto é o aprendizado contínuo através da aplicabilidade de conceitos e ferramentas adquiridos em sala de aula à realidade dinâmica do mundo dos negócios.

Blogs Corporativos

Blogs corporativos são aqueles usados no dia-a-dia das empresas. O blog é uma ferramenta de simples utilização, sendo possível criá-los com poucos conhecimentos. Os blogs também possuem propriedades que se enquadram nas necessidades de qualquer negócio: a comunicação interna ou externa simples, descomplicada e altamente interativa e instantânea. É um objeto de fácil leitura e um espaço para envio de comentários sobre artigos ou textos criados. Podemos também utilizá-los na busca de informações relevantes sobre o nosso negócio e seu mercado. O blog dentro de empresas poderá ter como público-alvo uma audiência externa (mercado, clientes, parceiros) e uma audiência interna (colaboradores).

O que é um blog?

É um tipo de "diário de bordo" na web. Nele você poderá colocar fotos, comentários, perfis, vídeos, etc e interagir com diversas pessoas. O primeiro blog foi criado em 1997 pelo norte-americano Jorn Barger que decidiu colocar na web um tipo de diário de bordo e o batizou como weblog. Ou seja, a junção das palavras web (que em inglês significa rede) e log (contração da palavra inglesa logbooks que significa diário de bordo).